.:Matheus com H│Blog

24 novembro 2016

Tomate seco


Quem se importa se sou original ou não? Eu não. Engraçado é que parece que começo a gostar das coisas que te envolvem, simplesmente assim. Só vou gostando, até seu jeito começo a imitar, até tomate seco começo a comer, meus neurônios, os mesmos desse cérebro que você disse que eu amava, quando na verdade eu disse que te amo, são atraídos facilmente pela simples lembrança de você.
Falando em tomate seco, que é, na maioria das vezes, vermelho, lembro de um belo cristal que só descobri graças a minha vontade de estar com você e minha insistência em ficar por aí seguindo você. Vou me lembrar de química, vou me lembrar de complexos, vou me lembrar de vanadatos, vou me lembrar de vanadinita. O museu representa-a como pouco abundante, como especial. Nós dois sabemos que o museu não é lá muito confiável, mas mesmo se for mentira, você é pouco abundante pra mim, uma amostra única, insubstituível. Nesses breves estudos, descobri que não importam as dimensões, só as relações angulares, enunciado de Steno, por isso, mesmo um cristal hexagonal com faces de tamanhos diferentes, meio assimétrico, não é capaz de reduzir o quanto fico maravilhado. Ultimamente ando com saudade dos minerais, meio deprê. Mas trocaria um berilo vermelho pra passar um dia com você. E no final, certamente, não sobraria nem uma carcaça, nem cabeça, nem espada, mas apenas minha vontade de trocar tudo por você, quantas vezes forem necessárias. 

24 outubro 2016

Um pequeno silêncio


Fico triste quando não te vejo durante aqueles dez minutos que eu poderia te ver. Minha cabeça sabe lidar perfeitamente com isso, mas meu coração se joga em prantos no chão.  Acho que a vida insiste em pregar algumas pequenas peças nos meus anseios. Fiquei idealizando aquela viagem em tão pouco tempo, e que viagem! Mas às vezes sou palco de palhaçadas. Eu estou um coringa com uma lágrima desenhada sob meu olho direito e com a maquiagem de um sorriso inverso. Um sobre sorriso, cadê o meu sorriso? Não deu tempo nem de sentir saudades e já estou sentindo. Ironias...

09 setembro 2016

De repente

Quando a própria existência começa a pesar mais que o aquilo que as pernas conseguem carregar fica bastante complicado de andar. É difícil poder controlar algumas loucuras que se tem impulso de fazer, a sensibilidade fica tão alta, que qualquer coisa toma proporções semelhantes a um diamente riscando talco. Talvez doa.
E se de repente eu virasse só pó ou um pedaço de nada? A sensação de ver aquela pessoa que tanto amo pela última vez fica dando as caras às vezes. Fico pensando no medo que tenho de me tornar um nada eternamente sozinho. A realidade é ruim. Mas eu realmente queria te ver mais essa vez, sendo ela a última ou não, mesmo que isso significasse uma despedida não tão adequada à minha vontade e que depois eu ficasse mal de não ter olhado para o seu rosto o tanto que quisesse olhar, eu fiquei.
Alguns momentos fico com bastante medo de certas decisões que eu talvez possa tomar, mas o fato é que algumas vez acho que meu balão está denso de mais, não consegue subir. Meu medo é de acabar preferindo estourá-lo. Mas aí fico pensando em como um certo hálito é capaz de mantê-lo no alto.
Agora parece que minha mãos são apenas imagens, pois é como se eu tentasse segurar minhas lágrimas com elas, mas não adianta, elas passam direito atravessando tudo.
Pular é muito fácil, mas acontece que a gente nunca tem certeza. Uma possibilidade que ronda minha cabeça é de eu me tornar sublime antes de tocar o chão.

04 setembro 2016

Poucos milímetros


Fico pensando em com que fita métrica eu meço o que eu sinto por você. Em centímetros, eu demoraria muito pra chegar no algarismo duvidoso. Talvez nunca chegasse.
Só umas gotas poucas caindo e crepitando no telhado como uma fria brasa de água. Elas me fazem lembrar suas mãos gélidas que percorrem meu corpo e esquetam sem queimar e ardem sem doer. Isso deixaria qualquer termômetro bufar de raiva. É uma indecisão tão pouco vulgar, cheia de curvas, um labirinto. Só eu tenho o poder de percorrê-lo, e você. Eu domino o mapa e o compartilho com você. Mesmo se eu não soubesse o caminho, eu entraria complemente nu, completamente cego, completamente surdo pra encontrar você.
Se eu pensar mais sobre isso, vou ficando pouco a pouco sem chão, pois começo a só observar as palavras saindo dos meus dedos. O único som em que presto a atenção é o canto dos pipirrans, pois é o que para sempre me fará lembrar de você, para sempre, até que eu morra guardarei isso comigo. A ideia do eterno retorno, de fato, pode parecer assustadora, mas o êxtase de um segundo se repetindo eternamente com você é inimaginável. É como se o calor, rompido dos seus pulmões, incidindo sobre os meus ouvidos, fosse o toque de algodão em minh'alma.
Fico feliz de poder lembrar do seu sorriso de coríndon antes de fechar meus olhos.
A chuva chegou
De verdade agora
Me dê sua mão
E não sobrecarregue seus cotovelos quando estiver deitado sobre mim. O peso do seu corpo é, no mundo, o que mais se opõe ao caráter posito da leveza.

22 agosto 2016

Trêmulo


Eu realmente não sei o que há comigo. Isso não é nem um pouco necessário. Tenho certeza que vai passar e estou tentando jurar que hoje foi a última vez. Eu achei que aquilo ia passar, mas não passou. Provavelmente sou mesmo um idiota, um arrogante, orgulhoso ou imbecil. Será que está auto condenação é um açoite a mim mesmo? Quando foi que encomendei isso? Boa pergunta. Estou deixando no ar essas poucas palavras pra ver se alivia. Agora estou tão perdido que nem me lembro mais onde está meu anel. 

20 agosto 2016

Corda


É um pouco difícil às vezes, eu sei. É mais ou menos pela tardinha que começa. Vou ficando um pouco entediado, dali a pouco, meio angustiado. Começo a sentir meu coração um pouco estranho, como se ele não estivesse muito confortável ali. Talvez não esteja mesmo. Fico com o rosto meio incomodado, como se alguém estivesse com o dedo indicador bem no meio da minha testa. Meus olhos ficam carregados também, chorosos, como se quisessem extravasar mas não conseguissem. 
Que se foda, nem querer escrever mais eu quero. 
Fui dar uma volta pra ver ser isso passava, não funcionou muito, tanto que estou aqui agora, acabei de apagar as luzes e coloquei uma música bem no clima. Tenho que parar com isso. Umas horas que deveriam ser produtivas só servem pra fomentar meus momentos emo 2016. Isso não é nada bom, seria se fosse uma opção minha, algo voluntário, mas não. Seria bom se eu pudesse controlar. Voltou. Voltou aquela vontade de me submergir de novo. Esconder. Entrar dentro do meu guarda roupas e ficar lá, sem ninguém me achar. 
Narcóticos ou qualquer coisa assim talvez seriam uma boa fuga. Não. Não é. Não quero sair por aí sem controle como achando que tenho asas pra pular de prédios. Agora só quero ser pescado. Sair dessa lago frio e molhado. Alguém? 

18 agosto 2016

Abraça-me

Amar dói. Dói quando o ônibus começa a me levar metro a metro, quilômetro a quilômetro pra mais longe de você. Dói quando o relógio começa a girar sem parar e vai me apertando pouco a pouco no tempo. E quando o tempo começa a me apertar assim eu quero é ser apertado por você, mesmo que minhas costelas doam. Minha vontade é de olhar tudo de você com minha lupa, quero conhecer todos os seus detalhes, saber onde está tudo que você quer pra que eu possi ir lá e buscar, mesmo que seja no escuro do mundo. E agora estou desesperadamente olhando sua foto. Você acertou. Esses momentos são desconcertantes. Quantas vezes saí correndo só pra poder te ver? Você sabe exatamente como me fazer sorrir e quero muito poder fazer o mesmo com você. Às vezes odeio o mundo por que ele é quem faz com que nos percamos na multidão, o mesmo mundo que você deseja salvar, peço desculpas por isso, mas não me vejo salvando mais nada além de você, talvez nem a mim mesmo.

14 agosto 2016

Faces


Estou um pouco anédrico agora. Meio cabisbaixo. Falta pouco pra chorar. Meu coração bate num ritmo meio estranho. Parece um pouco que está meio pesado, meio carregado o seu ritmo. Não consigo mentalizar mais nada além desse sentimento negativo. Ele é um sentimento meio sem razão, só está aqui. Uma vontade de cavar um buraco e ficar lá um pouco. Algumas horas ou até dias. Pra onde posso fugir? Estou fazendo uma coisa aqui, uma escrita técnica, digamos. Eu gosto. Mas fico escutando umas músicas e acho que as batidas não colaboram muito. Me ajuda. Dizem que escrever ajuda a passar, mas às vezes acho que só piora. Estou ficando meio fraturado. Estou tentando gritar mas não sai som algum. Não consigo formar nenhuma superfície plana ou paralela que reflita luz. Estou bastante negativo, nem raio ordinário e nem extraordinário. Está tudo ficando dentro. Está tudo escurecendo. Está? Me ajuda. No exato instante dessa palavra, esta, estou tremendo e não sei o que fazer. Talvez se eu expulsar algumas lágrimas no banheiro melhore. Vou tentar. Talvez eu ao menos consiga ser subédrico.

Meus passos

Eu até tento as vezes, mas é um pouco difícil. Cada passo que dou nessas ruas movimentadas é um letra do seu nome que ecoa pela minha cabeça. O mundo é cheio e repleto de sons e ruídos, mas isso se torna tão desprezível perto de você. Eu só fico andando por ali e por aqui, fico tentando elaborar meneiras, modos e teorias pra poder encaixar nossas existências perfeitamente, como um quebra-cabeças de duas peças. Às vezes eu acho que estou ficando maluco, isso é só um reflexo da minha vontade louca de te abraçar, sentir de novo o meu calor se misturando ao seu. Quando lembro que talvez você queira me apertar em seus braços, eu fico prestes a martelar uma parede com minha cabeça. Esse é o resultado da não realização desse desejo agora.
Enquanto passo pela estrada, vou analisando cada canto e visualizando o melhor lugar para eu construir um castel para nós dois. Vou dar um jeito para que esse lugar seja blindado às influências do tempo e do espaço, assim não terei que escutar o barulho estressante daquele despertador. Trim! Trim! Trim! Esse é o sinal da hora de ir, da hora de ter que guardar nos nossos bolsos esse amor.
A minha cabeça, algumas vezes, se desliga para umas coisas e elas somem, mas me impressiona a forma de como quando se trata de você, ela não se comporta assim, no máximo, ela pode ficar em estado parcialmente vegetativo, mas nesse caso, depois de um tempo ocorre o mesmo que quando entramos de uma vez em um local escuro, demora um pouco até os olhos se acostumarem. Com você é assim, de primeira, talvez eu não preste muito atenção, mas vai clareando.
Acho que inconscientemente fui pegando uns pedaços de mim e ligando com uma linha em alguma memória relacionada a você, aí costumo lembrar de voce cada vez que uma dessas linhas se mexe. Fica impossível de não ter vontade imediata de sentir o cheiro da sua respiração. Eu me sinto o rapazinho mais sortudo do mundo de às vezes ter esse privilégio. Fiquei pensando se isso seria uma conspiração do.universo ao meu favor. Talvez seja.